Natural de Bisalhães, Cesário da Rocha Martins estava parado há quase um ano quando o entrevistámos. Diz-nos que «se pudesse trabalhar não estava tão doente», e nesse dia tinha já feito dois alguidares. Aos poucos vai acumulando peças para cozer. Quando trabalhava sem restrições chegou a fazer 50 e 60 peças por dia, mas das mais simples; das outras, menos, entre 10 a 15. Nasceu há 85 anos no seio de uma família grande e muito trabalhadora. Lá em casa eram nove: o pai, António Martins, a mãe, cinco irmãs e um irmão.
Todos tinham de trabalhar na olaria e nos campos, ajudando os pais. Congratula-se de não ter passado fome pois, além da olaria, tinham duas pipas de vinho, duzentos alqueires
de pão e um reco. Mas sempre trabalharam muito, mesmo as irmãs, tinham de tratar da casa, apanhar lenha, ajudar na decoração das peças, vender a louça…
Quando terminou a 4.ª classe, começou a aprender a arte com o pai, também ele filho de oleiro.
Teria uns oito anos e meio, nove. A primeira peça que fez foi um alguidar, que é a mais fácil, e diz que aprendeu com facilidade. Confessa que se deve aprender de pequenino, pois «a nossa arte não é muito fácil de aprender», «a nossa arte é o homem, o rapaz», justificando esta afirmação com o facto de ter «coisas difíceis com as mãos; é com os dedos só, não tem mais nada», além da roda. Esta aprendizagem começa necessariamente cedo, para treinar os dedos. Lembra que quando ia para a escola, ele e o irmão levavam pedacinhos de barro para brincar e fazer “macaquinhos”. O pai desencorajava as brincadeiras, pois rendia mais o trabalho na roda, que é quem manda, tal como os dedos.
Faz peças de todo o tipo e formato. Fazia talhas por encomenda – a maior que modelou tinha capacidade para seis almudes! Diz que este recipiente era ideal para o azeite por causa do barro.