Jorge Ramalho, de 53 anos, é uma exceção em Bisalhães, pois vive da profissão como antigamente, isto é, está diariamente na sua oficina-venda, aberta ao público na entrada de Vila Real. Nasceu na olaria, já que tanto o pai, Sezisnando Ramalho, como a mãe, Noémia da Rocha Monteiro, além de viverem da arte, descendem de oleiros – os seus avós João Ramalho e Américo Monteiro. Conta-nos que o avô João ia vender as peças a Santa Marta, a pé, levando as peças à cabeça e num cavalo. Muitas vezes nem vendia, mas trocava por vinho ou outras mercadorias. Corria as terras à volta, indo a Alijó, trocando a mercadoria por azeite, e Murça, por onde ficava uma semana. Passou depois a ir com o filho Sezisnando para a Régua, despachando as peças pelo comboio.
Contrariamente ao que é costume, a sua família nuclear não se dedica ao barro, sendo a mulher natural de outra aldeia. Quando lhe perguntamos porque não forma pessoas, para legar a sua arte, responde «já viu o que era ter uma pessoa um ano inteiro a olhar para mim?».
Reconhece que é um processo moroso que exige trabalho, e vai de pequeno, mas não põe de parte fazer formação para o futuro, desde que haja condições de sustentabilidade.
Aprendeu a arte com o pai, que a aprendeu também com o pai dele. Começou pelos 15 anos a trabalhar o barro, a fazer pucarinhos, e lembra a generosidade do pai, que lhe dava o dinheiro das peças que fazia, tal como às suas irmãs. Cada pucarinho custava 20$00, e o Sr. Jorge trabalhava no verão de modo a juntar dinheiro para comprar roupas e outras coisas. Conta que, como gostava de cavalos e não tinha dinheiro suficiente para tal, uma vez comprou um burro! O pai não ficou muito satisfeito com o negócio e fez um trato com ele: «podes ficar com o burro se até amanhã ele comer este feno todo». Claro que era demasiada ração e ele teve de devolver o animal a quem lho vendeu. Este cuidado do Sr. Sezisnando com a sua educação deve-se certamente à infância de trabalho, tendo apenas completado a 4.ª classe já com 18 anos (COSTA, 128).
O Sr. Jorge dedica-se à arte desde 2011/2012. Como não sentia que pudesse fazer vida da olaria, trabalhou como mecânico e esteve emigrado em Espanha, França e na Alemanha.