ALBANO PINTO CARVALHO

“NÃO HÁ NADA QUE EU NÃO FAÇA! APRENDI POR MINHA CABEÇA”

Com 88 anos, Albano Carvalho não sabe bem o dia do seu aniversário. Nasceu no outono e foi registado em janeiro. Era preciso pagar o registo, que custava 25 tostões. Como os pais não tinham dinheiro, registaram-no quando deu. Descende de uma família de pedreiros, que trabalhava em muitos lugares. Não aprendeu com ninguém aquilo que sabe: «Não há nada que eu não faça!, aprendi por minha cabeça. […] Fui para a escola, andei dois anos em cada classe porque não gostava da escola. Eu não agarrava um livro». Foi pastor até aos 17 anos. Juntamente com os seus três irmãos dedicou-se à arte de pedreiro; compraram as ferramentas e aprenderam a arte de talhar a pedra, «fazer perpianhos», como nos relatou. Foi assim que trabalhou muitos anos, partindo pedra e construindo casas.

Casou aos 28 anos com Maria Natália Fernandes Ramalho (10/05/1937), com quem teve três filhos. Enquanto este trabalhava como pedreiro, ela cuidava dos campos e do gado, ficando ainda a seu cargo a casa e os filhos.

Filha do oleiro João Ramalho, sempre soube o que era esta arte, o que acabou por influenciar o marido. Antes de casar, como era tradição de família, a D. Natália ajudava em casa nas tarefas ligadas à produção, como gogar e decorar e ajudar a cozer a louça. Durante o tempo frio punha a louça em “verde” a secar junto do lume, antes de a levar em tábuas para o forno.

Usualmente coziam num forno comunitário, juntamente com mais três ou quatro consortes. Estas tarefas passavam também por trabalhar para outros oleiros a cozer ou a picar o barro, como o Sr. Cesário ou o Sr. Querubim. Depois, juntamente com outras mulheres da aldeia, levava as cestas da louça à estação de comboio, para seguirem para a Régua. Ela e outras mulheres seguiam a pé no dia anterior e dormiam numa pensão, já na Régua. A feira era concorrida e tinha freguesas de muitos sítios, como uma de Mesão Frio que lhe vendia a louça por lá. Também iam ao Pinhão vender. Aí era o pai e uma irmã mais velha. Conta que o faziam em troca de milhão, para fazer pão. Passavam dificuldades, andando descalças na neve, na geada… por isso se queixa da sua saúde, de não conseguir andar bem, por ter andado a carregar cestos de 70 quilos.